O site RelGov em Foco, que mantém uma página no Facebook, em parceria com a ABRIG, a associação nacional da categoria, fez uma pesquisa com 160 profissionais e traçou o perfil do executivo de Relações Governamentais.

 

A participação social no processo de definição de políticas públicas é um fato em todas as democracias desenvolvidas. A representação dos diversos anseios sociais nos foros de discussão é de grande relevância principalmente no atual contexto de grande intervenção do Estado na economia.

O executivo de Relações Governamentais faz a representação de interesses dos setores da sociedade civil perante os atores governamentais responsáveis pela elaboração das políticas públicas e marcos regulatórios que impactam na vida da população. Esse profissional é o interlocutor da empresa ou instituição com agências reguladoras, ministérios, Câmara e Senado Federal e demais órgãos de decisão do governo.

Em suas atividades, realiza análises da conjuntura política e de impacto normativo, avalia riscos e cenários e monitora as principais discussões governamentais sobre o setor que representa, definindo a estratégia de ação e a melhor maneira de se comunicar com os órgãos governamentais.

 

Metodologia da pesquisa

A pesquisa foi elaborada e conduzida pelo professor Eduardo Ribeiro Galvão. As perguntas foram elaboradas buscando-se alinhar informações acerca da formação, experiência, remuneração e atuação dos profissionais, na forma de múltipla escolha. As opções de respostas buscaram atentar para as diversidades de perfis e abranger uma grande variedade de possibilidades.

O questionário foi disponibilizado em plataforma de acesso público na Internet, com a possibilidade de compartilhamento do endereço eletrônico. Não foi requerida qualquer identificação dos respondentes.

Com o apoio da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais – ABRIG, a pesquisa foi amplamente divulgada em base nacional. Houve divulgação ainda em grupos públicos e fechados do Linkedin e na página ‘RelGov em Foco’ no Facebook.

A amostragem contou com respostas de 160 profissionais de todo o país, de um universo de 2.000, segindo estimativa da ABRIG. A amostragem conta com diferentes idades, formações, gêneros e locais de atuação.

A base de dados geral da pesquisa pode ser acessada para outros recortes e leituras pelo link: https://goo.gl/awBSWE

 

 

Perfil

A atividade demanda profissionais especializados. Além de conhecer a fundo o objeto do negócio de sua empresa ou instituição, deve ter um profundo conhecimento dos processos decisórios no governo, da regulação do mercado e dos limites éticos e profissionais da atividade.

Mais da metade dos entrevistados atua em Brasília e cerca de um quarto, no estado de São Paulo. A maior parte trabalha em  empresas privadas e uma parcela um pouco menor atua em escritórios especializados. As atuações se estendem ainda em federações e confederações, associações e sindicatos, ONGs e empresas e órgãos públicos, que também mantém departamentos especializados em assessoria parlamentar e em relações institucionais para a eficaz interação entre os poderes e entre esses e a sociedade.

 

 

 

 

UF

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

trab

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Especialização

As principais formações dos profissionais de Relações Governamentais são em Direito, Administração, Ciência Política e Relações Internacionais.

Mas instuições de educação superior identificaram a demanda por capacitação específica e iniciaram em 2015 cursos de especialização em Relações Governamentais. A maioria em Brasília, onde se concentra a atividade.

Segundo o professor da pós-graduação em Relações Governamentais e Políticas Públicas do UniCEUB, Eduardo Ribeiro Galvão, a especialização vai além da grade curricular dos cursos tradicionais. “É uma atividade multidisciplinar e que requer conhecimentos de organização do Estado, processo decisório, políticas públicas, regulação da atividade econômica, estratégia e gestão”. Ele ainda coordena um grupo de pesquisa sobre Relações Governamentais e investimentos no Brasil.

O coordenador do MBA em Relações Governamentais da Fundação Getúlio Vargas em Brasília, professor Rodrigo Navarro, concorda com essa multiplicidade de competências requeridas do profissional: “no MBA da FGV, pioneiro da área no Brasil, buscamos aprofundar e oferecer complementação em áreas nas quais esse profissional é levado a transitar, ainda que não seja sua área original de formação, como Estratégia, Comunicação e Marketing Corporativo, Gestão de Projetos, Comércio Exterior e Inovação”.

 

graduacao

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

pos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Procura

Os profissionais de Relações Governamentais estão ganhando espaço no mundo corporativo. Empresas, entidades de classe, ONGs e movimentos sociais percebem cada vez mais a importância de, não apenas anteverem as decisões governamentais, mas também de participarem de suas definições, democratizando a democracia. Isso permite melhor previsibilidade para a atividade empresarial e resulta em políticas públicas mais eficazes e legítimas.

As contratações se dão principalmente por causa da necessidade de companhias nacionais e multinacionais, cujos negócios são mais sensíveis à regulação e ao controle estatal, como as dos setores de telecomunicações, alimentos e fármacos, entre outros.

 

Cargos – o que cada um faz?

A estrutura de uma equipe de Relações Governamentais depende da necessidade e da capacidade de cada empresa ou instituição para dispor seus recursos. Os títulos a atribuições dos cargos não são uma regra e podem variar de acordo com a política organizacional.

Analista é o ponta de lança. A função do analista de Relações Governamentais exige seriedade e muito comprometimento. A esse profissional cabe a responsabilidade de realizar os trabalhos técnicos da área, fazer o monitoramento dos temas relevantes no governo, análises de impacto normativo e antecipação de cenários com o intuito de subsidiar a estratégia da equipe com o máximo de informações úteis.

Coordenador, o técnico com responsabilidade. O coordenador é o responsável pela condução de um ou mais temas, de acordo com a política interna. Ele ainda possui as funções do analista, mas assume outras responsabilidades. Elabora relatórios mantendo as atividades dentro das normas, executa as tarefas e coordena os trabalhos com outros pares.

Gerente é o que faz acontecer. É o elo entre as definições de objetivos e as realizações. Ele é o profissional que planeja e controla os recursos e as atividades da área para garantir a conformidade com as normas e alcançar os objetivos corporativos esperados. O gerente de Relações Governamentais faz a gestão das informações geradas pelos diversos setores. Além de suas contribuições técnicas, que aperfeiçoou com anos de experiência, ele acompanha os processos e resultados e define estratégias, a fim de assegurar o melhor desempenho da equipe.

Diretor é o líder. É o principal executivo do departamento. Ele define as políticas e objetivos e conduz a elaboração e implementação dos planos estratégicos. Faz decisões de contratação e demissão, gestão de pessoal, controla o orçamento da organização e é muitas vezes o rosto da organização para relações institucionais. O diretor executivo é contratado pelo conselho de administração e faz recomendações sobre novos investimentos.

 

Remuneração – o valor da teoria e da prática

Atuar em uma área estratégica para os negócios requer competência e especialização. E a remuneração é atrativa.

Os analistas ouvidos na pesquisa possuem alguma pós graduação, trabalham há menos de 5 anos na área de Relações Governamentais e em geral ganham entre 2,5 e 10 mil reais.

Os coordenadores, também em sua totalidade, possuem pós graduação. Um coordenador de Relações Governamentais em geral tem entre 5 e 10 anos de experiência e ganha entre 5 e 12 mil reais.

A maioria dos gerentes possui alguma pós graduação e possui entre 10 e 20 anos de experiência. Os salários médios variam entre 12 e 30 mil reais. Em alguns casos o valor está acima disso.

O cargo de diretor demanda bastante experiência na área. A maioria dos entrevistados tem pós-graduação e afirmou ter entre 10 e 20 anos de atuação. O salário médio dos diretores de Relações Governamentais está entre 30 e 40 mil reais.

 

ass

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

an

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

coord

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

geren

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

dire

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

vp

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

cons

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A importância do profissional de Relações Governamentais

O empresariado brasileiro percebeu a necessidade de participar das discussões para formulação das políticas públicas que impactam diretamente na economia e na sociedade.

A participação dos grupos sociais nesse processo decisório existe em todas as democracias desenvolvidas. Essa interlocução deve, contudo, ser feita de forma profissional.

A atividade existe e não é nova. A necessidade do mercado é cada vez maior. A experiência e a especialização são fundamentais e bem recompensadas. A maior participação dos grupos sociais no processo de discussão de políticas públicas representa um ganho democrático. E deve ser feita com ética, técnica e conhecimento.

 

 

Pesquisador: Eduardo Ribeiro Galvão

Da redação. Site RelGov em Foco.

Disponível em <http://www.relgovemfoco.com.br/o-perfil-do-profissional-de-relacoes-governamentais>.

* Reprodução permitida mediante citação da fonte.