Como aumentar sua competitividade de influência.

 

Inteligência competitiva é um conjunto de técnicas que analisa o perfil e o comportamento dos agentes envolvidos, cenários e tendências, com o objetivo de aumentar a competitividade das organizações e definir a estratégia de atuação.

A inteligência competitiva é amplamente utilizada na administração corporativa, trazendo vantagens como a minimização de surpresas dos agentes, identificação de ameaças e oportunidades, estratégia baseada na informação, conhecimento das vantagens comparativas e aumento da capacidade competitiva.

No mundo inteiro as grandes organizações aplicam a inteligência competitiva em diversas áreas de sua atuação para ampliar sua competitividade e a sustentabilidade de suas atividades.

Nas Relações Institucionais e Governamentais das empresas não é diferente.

Da pluralidade democrática tem-se a diversidade de posições, e disso decorre a divergência entre os próprios participantes. Diversos interesses concorrem entre si. Interesses que são, muitas vezes, conflitantes. Os agentes, por sua vez, não estão sozinhos no tabuleiro desse jogo. No ambiente de participação social na discussão de políticas públicas, existe uma grande pluralidade de atores interagindo.

Quem tiver maior capacidade de influenciar a decisão política fica na dianteira dessa disputa.

Portanto, identificar e entender as forças que interagem é fundamental para o sucesso  no jogo de influências. Primeiramente, olhar para dentro da organização e perceber quais são suas capacidades de influência, percebendo onde há vantagens comparativas e onde há necessidade de reforço é base para o sucesso da ação.

Adrede a isso, entender o cenário, quem são os agentes, como podem influenciar esse jogo de interações e antecipar quais serão suas ações é decisivo para construir uma estratégia efetiva de influência e subsidiar a tomada de decisão.

Adaptada e aplicada à atividade de Relações Institucionais e Governamentais a inteligência competitiva é uma ferramenta poderosa  e decisiva na complexa atuação dos entes privados na busca de políticas públicas mais adequadas.

A inteligência competitiva em Relações Institucionais e Governamentais permite aos agentes analisar as capacidades de influência dos envolvidos, prever ações dos opositores, construir redes de influência eficazes e aumentar a competitividade corporativa.

Caso recente de Inteligência Competitiva na estratégia de Relações Governamentais é o da Coalizão da Auto-direção para Ruas mais Seguras, formada pelas empresas Google, Uber, Lyft, Ford e Volvo. De olho no mercado dos carros auto dirigíveis, elas apostaram no lobby de forma inteligente, criando oportunidades e mitigando riscos numa formatação que lhes garante vantagem competitiva na influência por políticas públicas regulatórias.

Como num jogo de xadrez, a estratégia depende de saber que peças estão no tabuleiro e quais movimentos cada uma é capaz de realizar, antecipar as ações dos rivais e estar à frente.

Lembremos do que dizia Sun Tzu: “se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas”.

O que a sua organização está fazendo a este respeito?

 

Eduardo Ribeiro Galvão

Vice-Presidente da Abrig – Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais.

Professor no MBA de Relações Institucionais do Ibmec. Professor convidado de workshops no MBA de Relações Governamentais da FGV.

Autor do livro Fundamentos de Relações Governamentais (2016).